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Flowforms, Natureza Rítmica da Água e outros…4 cursos de Paul Van Dijk em Outubro no Brasil

Alguns de vocês devem se lembrar do post “Aplicação da tecnologia flowforms para o tratamento de esgoto da cidade de Soerendonk (Holanda)” que fiz em Junho do ano passado, anunciando uma série de cursos conduzidos por Paul Van Dijk.

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Flowforms aplicados em espaço público na Bélgica (Foto de Paul Van Dijk)

Animado com a perspectiva de conhecer de perto o trabalho de Paul e sua experiência com a aplicação dos flowforms para revitalização de água em estações de tratamento de esgotos, decidi participar do curso “Natureza Rítmica da Água”. Cheguei com a expectativa de ver flowforms funcionando, e saí com a certeza de ter “virado a chave”, de ter revigorado e renovado meu olhar para a Água, compreendendo que ela é de fato um mistério muito maior do que imaginamos, e que estamos apenas triscando em sua superfície. Como disse Paul no primeiro dia de curso, logo após um entre tantos exercícios de observação fenomenológica: “Água é Amor em forma de matéria”. Foi um curso para tocar fundo nos sentidos, de deixar de lado a razão e a lógica e simplesmente observar sem julgar, intuir, e deixar ser sensibilizado e ensinado pela Água.

Inspirado pelo aniversário de 1 ano desde esse momento, me animei a juntar força aos amigos do Curso do Rio para trazer Paul novamente ao Brasil para uma série de 4 cursos imperdíveis, 2 realizados em São Paulo (com apoio de Rios e Ruas!), e outros 2 cursos em imersão em Ilhabela.

Desta vez terei a honra de traduzir os dois cursos oferecidos em São Paulo, no Dojô Harmonia: Água – Equilíbrio Dinâmico Entre Polaridades, e Um Novo Olhar Para as Plantas, além de participar como ouvinte do curso em Ilhabela.

Para mim a grande mágica de Paul, que além de experiente projetista de flowforms (tendo sido aluno direto de John Wilkes – autor do livro “Flowforms“), é ainda artista plástico, escultor, dançarino e professor de fenomenologia de Goethe, é fazer com que cada aluno aprenda por si, através de suas próprias vivências ao longo de exercícios que reúnem movimento corporal, observação, escultura em argila, desenho livre, e outras técnicas.

Se quiser saber mais sobre a tecnologia flowforms, acesse o artigo “Aplicação da tecnologia flowforms para o tratamento de esgoto da cidade de Soerendonk (Holanda)“.

Para saber mais sobre os cursos de Paul Van Dijk no Brasil acesse o site do Curso do Rio.

Agradeço por partilhar em suas redes, e espero ver muitos de vocês ao longo desses encontros!

Um grande abraço,

Guilherme Castagna

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Curso Teórico-Prático: Esgoto como fonte de recursos – sistemas de pequena escala (01 e 02/Out)

Amigos, aprendizes, educadores e amantes das águas, iniciaremos a partir de Outubro um período de intensas vivências, palestras e workshops. Este é o primeiro deles, realizado em Pedra Bela/SP, no Espaço Almagestum, inaugurando nossas atividades nesse espaço que abrigará a partir de agora uma série de oficinas realizadas anualmente.
Neste próximo curso, focado na pequena escala, vamos mesclar teoria e prática para aprofundar o olhar sobre nossas águas servidas (e sobre nossas fezes) como uma valiosa fonte de recurso para resgatar a fertilidade de nossos solos, para produção de energia, biomassa e alimentos, usando sistemas naturais de restauração da qualidade e vitalidade da água. Com a presença de ilustres parceiros convidados fortalecendo essa oportunidade de aprendizado conjunto, celebrando nossos papéis como agentes de transformação colaborativa positiva.
Tema: Esgoto como fonte de recurso – sistemas de pequena escala
Objetivo: Apresentar os fundamentos, abordagens técnicas e detalhes para desenvolvimento de projetos de recuperação de recursos (energia, nutrientes, e água limpa) a partir do manejo de esgoto doméstico em sistemas de pequena escala. Compreender sua função dentro da abordagem do manejo integrado de água / Permacultura.
Programa:
  • Introdução;
  • Atividades de sensibilização baseadas na fenomenologia de Goethe
  • Fundamentos da Permacultura aplicados ao Manejo Integrado de Água;
  • Conceitos fundamentais:
    • Uso ancestral de esterco humano como adubo (Humanure);
    • Produção de águas servidas vs. produção de matéria orgânica
    • Degradação de matéria orgânica em água, um olhar sobre os processos físico-químicos – Renato Fenerich
    • Algas e ecologia aquática
    • Aquaponia em Biossistemas Integrados – Cláudio Alfaro
    • Compostagem e vermicompostagem
  • Revisão de técnicas
    • Fossa séptica e filtro anaeróbico
    • Biodigestores
    • Zonas de raízes (wetlands construídos de fluxo horizontal, vertical, híbridos e flutuantes)
    • Sistema francês
    • Vermifiltro
    • Vala de infiltração
    • Banheiro seco
    • Irrigação de frutíferas e círculo de bananeiras
  • Práticas:
    • Vermifiltro (implantação de um sistema no Sítio Dalva, em Pedra Bela/SP)
    • Irrigação passiva de frutíferas com água cinza
    • Irrigação passiva de plantas com água de chuveiro em ambiente externo
    • Banheiro seco com minhocas (a confirmar)
Facilitador:
Guilherme Castagna, Engenheiro Civil (Escola de Engenharia Mauá – 1998) e Permacultor (IPEC – 2003), sócio-fundador da Fluxus Design Ecológico, desde 2006 integra sua formação acadêmica como engenheiro civil aos princípios de design ecológico na elaboração de projetos de sistemas inovadores de manejo integrado de água. Premiado por seus projetos no Brasil e no exterior, é também ativista, co-idealizador do Movimento Cisterna Já, co-fundador e conselheiro da ONG Humanaterra, facilitador de cursos para técnicos e leigos para empoderamento no cuidado com a Água. Membro do OIA (O Instituto Ambiental – ONG pioneira no Brasil na abordagem dos Biossistemas Integrados) desde 2008.
Convidados:
Renato Fenerich
Cláudio Alfaro
Público:
Geral, não necessita formação técnica. Recomenda-se domínio das 4 operações e capacidade de interpretação de gráficos, tabelas e ábacos.
Atenção: Apenas 20 vagas!
Duração:
14 horas, ministrados em dois dias
Material:
Os participantes receberão a apresentação, bibliografia e vídeos recomendados com antecedência para estudo prévio. As apresentações feitas durante o curso serão impressas e entregues a todos os participantes no formato de 3 slides por página, para acompanhamento e anotações. Após o curso todos os alunos receberão um link para acessar conteúdos técnicos relevantes. Será concedido um certificado de participação no curso.
Data:
Sábado – 01/Out/2016: 9 às 18hs
Domingo – 02/Out/2016: 9 às 16hs
Local:
Espaço Almagestum
Sítio Boas Novas, Rod. José Bueno de Miranda Km 7, Pedra Bela/SP, CEP12990-000
Tel. (11) 3042-8138
Acomodação:
10 vagas em camas no local
10 vagas restantes em camping (traga a sua barraca)
Acomodação em pousadas da região – à parte
Alimentação inclusa!
Sobre o local do curso:
Almagestum é um espaço de cura e educação inserido dentro do Sítio Boas Novas, onde Guilherme e sua família vivem desde 2013. Guilherme vem implantando pouco-a-pouco um plano de restauração e integração ecológica a partir de um design permacultural do espaço. Alguns elementos já implantados e operando são biodigestor e tanques de tratamento com ecologias aquáticas (tanques de algas, macrófitas flutuantes e emergentes), irrigação de frutíferas com água cinza e jardim de chuva.
Custo:
Valor solidário: R$300 – Moradores de Pedra Bela (sem acomodação), produtores rurais, e professores da rede pública de ensino, à vista ou parcelado em até 2x (uma na inscrição, 2ª em 30 dias)
Valor integral: R$520, parcelados em até 3x – desconto de 10% para pagamentos à vista, estudantes, e moradores de cidades na bioregião Bragantina ou acomodação em camping (descontos não cumulativos)
Inscrições:
Informações:
(11) 98316-2647
Fiquem ligados nas próximas atividades!
Com minhas melhores saudações aquáticas!

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Curso: Planejamento Ecológico de Sistemas Integrados de Água para Construções + TOP100 no ArchDaily Brasil

A elaboração de estratégias para o redesenho da relação do Homem com nossas Águas é a base do nosso trabalho, e nos move além do lugar comum de simples projetistas. Somos sim técnicos, mas também ativistas, e pessoas sensíveis às causas dos Homens e das Águas. Acreditamos que a Água é muito mais do que um recurso, e deve ser tratada com toda reverência. Daí, nos entregamos em cada projeto para que sejam funcionais, sensíveis, por que não elegantes, e fundamentalmente educadores, oferecendo amostras reais, concretas, de uma nova e necessária realidade, e de integração entre os diversos projetistas envolvidos em projetos dessa natureza. Acreditamos que cada um de nossos projetos tem um importante papel a cumprir junto aos seus stakeholders, o de sensibilizar e educar para uma nova relação, absolutamente positiva e regeneradora com este precioso e gracioso líquido. Por isso tanto nos encoraja e alegra a listagem de 3 de nossos projetos entre os TOP100 obras da arquitetura brasileira dos últimos anos, segundo o site ArchDaily Brasil:

Harmonia 57 (2007/2008, por Triptyque Arquitetos): http://www.archdaily.com.br/br/01-16694/harmonia-57-triptyque

Casa LLM (2011, por Obra Arquitetos): http://www.archdaily.com.br/br/771285/casa-llm-obra-arquitetos

Estádio Nacional de Brasília (2012/2013, por Castro Mello Arquitetura Esportiva): http://www.archdaily.com.br/br/623873/estadio-nacional-de-brasilia-mane-garrincha-castro-mello-arquitetos

Apesar de serem projetos realizados em contextos e escalas absolutamente diferentes entre si, todos foram elaborados em estreita associação com os arquitetos, e em diversas medidas, com os clientes finais, o que ofereceu um grau de afinidade e de potencial trabalho conjunto que permitiu que pudéssemos ir além de soluções técnicas pontuais, buscando a integração entre o Homem, a Arquitetura, e as Águas. Movidos por esse desejo de levar o conceito, usualmente referido como “Manejo Integrado de Água”, em que a Água é abordada sob uma visão sistêmica com intervenções que tenham impacto positivo sobre o ambiente construído, ou seja, que colaborem na restauração dos ecossistemas, quer urbano ou rural, é que decidimos oferecer um primeiro curso de “Planejamento de sistemas ecológicos de água em construções”, ofertados a técnicos ou leigos, para que se difunda essa abordagem.

O local do curso, e também fruto de um maravilhoso trabalho desenvolvido entre 2013 e 2016, é o recém-inaugurado Bananal Ecolodge, uma pérola encravada no sertão do Ubatumirim, bairro rural de Ubatuba, litoral norte de SP. O projeto contou com a dedicação incansável e espírito visionário dos proprietários, do trabalho precioso do escritório OS3 Arquitetura, da arte das construções em bambu com Robert “Zunn” Harris, do paisagismo do Viveiro Caeté de Ubatuba, e da alegre criatividade do Cristiano “Gá” Akiyama, dedicado à execução dos sistemas de água: das instalações hidráulicas em PEAD ao aproveitamento de água de chuva, da construção do biodigestor aos tanques de tratamento com plantas aquáticas em superadobe (terra ensacada) e estrutura flutuante.

Para saber mais sobre o projeto executado no Bananal Ecolodge, acesse a pasta do projeto na nossa página do Facebook: https://www.facebook.com/fluxus.eco.br/photos/?tab=album&album_id=1171304949552103

O curso também foi desenhado para fortalecer os diversos grupos que já atuam com a temática do Saneamento Ecológico, e da criação de sistemas descentralizados de abastecimento e tratamento de águas servidas nesta região. Uma realidade fundamentalmente necessária para que atinjamos de fato a universalização do saneamento em todas as cidades do litoral norte, cuja formação impede a adoção de sistemas centralizados.

Espero ver muitos de vocês por lá!

Em gratidão,

Guilherme Castagna

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Planejamento ecológico de sistemas de água para construções – um impulso à restauração das águas no litoral norte paulista e sul fluminense
Com Guilherme
Castagna


Data: 25 e 26 de junho
Local: Bananal Ecolodge – Sertão do Ubatumirim – Ubatuba/SP

Os princípios de planejamento ecológico oferecem diretrizes para o redesenho das ocupações humanas de forma que água, alimento e abrigo estejam livremente disponíveis para toda humanidade. Toda e qualquer construção, independente da escala, pode e deve atuar de forma positivo sobre o ambiente construído, urbano ou rural. Neste curso exploraremos as estratégias e técnicas de manejo de água aplicados no Bananal Ecolodge, de forma que as demandas ecológicas do terreno, bem como do empreendimento fossem plenamente atendidos em abundância, com minima manutenção, e com a recriação de ciclos benéficos locais. Como? Veremos na prática como se dá o planejamento, operação e manutenção dos sistemas implantados no Bananal:
• Sistema de aproveitamento de água da chuva.
• Retenção, infiltração e paisagismo com jardins de chuva.
• Sistemas de filtragem e purificação da água.
• Sistemas biológicos de tratamento de esgoto com plantas aquáticas e produção de biogás.
• Telhados Verdes.

Guilherme Castagna
Sócio-fundador da Fluxus Design Ecológico, desde 2006 integra sua formação como engenheiro civil aos princípios de design ecológico na elaboração de projetos de sistemas inovadores de manejo integrado de água. Viveu em Ubatuba de 2006 a 2009, quando trabalhou com comunidades caiçaras, e integrou a CT-SAN do CBH-LN (Câmara Técnica de Saneamento do Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte). É ativista, facilitador de cursos de permacultura e de manejo integrado de água, co-fundador do Movimento Cisterna Já, membro da Aliança pela Água SP, e colaborador de diversas ONGs. Projetou e acompanhou a implantação dos sistemas de água do Bananal Ecolodge. Premiado no Brasil e no exterior, teve 3 de seus projetos recentemente elencados na lista TOP100 da arquitetura brasileira, conforme o portal ArchDaily Brasil.

Valor por aluno de outras cidades: R$ 560,00
Inclui: Curso, duas diárias com café da manhã da manhã (suítes para 3 pessoas) e quatro refeições no Bananal Ecolodge. Chegada dia 24 a partir das 17:00.

Valor por aluno morador de Ubatuba (sem hospedagem): R$ 110,00
Inclui: o curso de dois dias e dois almoços.

Para moradores do Sertão do Ubatumirim e comunidades Tradicionais o curso é gratuito com colaboração espontânea ou trocas!

Para alunos sem hospedagem as aulas serão:
Sábado e Domingo das 9:30 às 17:00

Vagas Limitadas!
Inscrições até 19 de junho
Mais informações e reservas:
pelo site www.ecobananal.com.br – reservas
ou e-mail reservas@ecobananal.com.br ou (12) 99600-2145 / (11) 98210-0156, ou pela página do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1086352574758460/

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Debate sobre a Crise da Água, e as soluções criativas oferecidas pela Permacultura, do micro ao macro

Amig@s, na próxima terça acontece um debate aberto mediado pelo jornalista Luiz Nassif na Casa da Cidade, em que eu e Marussia Whately, coordenadora da Aliança pela Água, faremos uma exposição conjunta da situação, dos desafios, dos problemas, das obras em andamento e previstas pelo governo do estado, e outros caminhos possíveis para vivermos uma vida digna com segurança hídrica na macrometrópole paulista. Do micro ao macro, da residência às estratégias urbanas, que caminhos a permacultura, como ciência de design ecológico, oferece para criarmos uma relação saudável e positiva com as nossas águas. Recomendo!

Este evento é um encontro de uma série de três promovido pelo coletivo PermaSampa em conjunto à Aliança pela Água e Casa da Cidade, para oferecer um olhar criativo e proativo sobre a Crise. Damos com esse mais um passo importante para a disseminação de boas práticas, saude, qualidade de vida e segurança hídrica. Junte-se a nós!

Um grande abraço,

Guilherme Castagna

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Curso: Manejo Ecológico de Água (Humanaterra, de 01 a 03/Maio)

Acontece de 01 a 03/Maio, na sede do Instituto Humanaterra, em São Lourenço da Serra/SP, a apenas 50km de São Paulo, mais um curso de Manejo de Água facilitado por Guilherme Castagna. Dessa vez com 3 dias de duração, para balancear teoria e prática, ações e reflexões, vamos dedicar um tempo ao exercício de planejamento da sede do Instituto, que irá contar com roda d´agua para bombeamento de água, diversos sistemas de captação, aproveitamento, e manejo de água de chuva na paisagem, com uso e abuso de jardins de chuva e canais de infiltração (swales), banheiro seco, tratamento de águas cinzas (sem fezes) e pretas (do vaso sanitário), irrigação de frutíferas com água cinza, e tratamento de água em pequena escala.

As ações realizadas a cada curso vão gerando a resiliência necessária para o instituto, e vão transformando a sede numa referência aplicada para os moradores do entorno e da cidade. Com o curso do ano passado já temos no lugar dois canais de infiltração plantados e estabelecidos na encosta, um vermifiltro para tratamento de água do vaso do alojamento e do futuro vestiário, dois círculos de bananeiras instalados em áreas inclinadas, e a estrutura básica de um filtro lento de areia, que receberá água de chuva captada de um telhado elevado, abastecendo a sede com três fontes de água: nascente + roda d´agua instalada no pequeno córrego local + água de chuva!

Desta vez vamos montar um sistema de aproveitamento de água de chuva com uma cisterna de 5.000 litros, terminar de montar um filtro lento de areia com capacidade de tratamento de 2.000 litros por dia para receber a água de chuva captada, e conecta-la a um conjunto de caixas existentes – se chover já vamos beber dessa água! Vamos ainda montar um filtro lento de areia caseiro para tratar água em pequenos volumes para ingestão, um filtro ainda pouco utilizado no Brasil e com enorme potencial de aplicação na melhora das condições de abastecimento em comunidades isoladas para uso com água de chuva, ou água de nascente.

O curso é oferecido a técnicos ou leigos, e foca nos princípios básicos, e oferece cálculos simplificados de dimensionamento dos sistemas abordados para todas as idades e formações. Se você quer aprender a lidar com a água de maneira integrada, está afim de trocar experiências e colocar a mão na massa, e se preparar melhor para a grave e complexa crise de Água que chegou para ficar, taí a oportunidade!

 Atenção! Curso confirmado, últimas vagas!

Para mais informações, acesse: http://www.humanaterra.org/2015/02/04/agua-manejo-ecologico/

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Palestra no Escritório Piloto da Escola Politécnica da USP

De tanto em tanto sou convidado a oferecer palestras, e fico feliz em compartilhar com gente nova e empenhada, que está afim de ouvir e trocar experiências, duvidas e sonhos. Por estar na universidade me fez lembrar de minha retomada no mundo da Engenharia, e da sequência de palestras com o Professor Plinio Tomaz, que adotei como Mestre nesse reinício, um figura cuja atitude de compartilhar o conteúdo me ajudou a esclarecer muitas de minhas dúvidas, e que inspira meu barato de compartilhar materiais de estudo e de trabalho. Aliás, gratidão Plinio!

O filtro do dia foi a chuva que caiu implacável, depois de 30 dias de seca em SP, engarrafando o trânsito e empatando o meio de campo de quem estava a caminho da palestra, eu inclusive. Mas curto chuva, e o pessoal presente, pelo jeito, também. Sala cheia, conhecidos, amigos e gente nova, curto a vibe! Me lembrou do Centro Acadêmico da Mauá, só faltou a mesa de pebolim, os gritos de truco, e o cheiro das máquinas de xerox, inconfundíveis.

Prá não ter que reescrever algo que já foi escrito, compartilho aqui um relato produzido sobre o encontro:

“Realizada no dia 22 de Maio a convite do Escritório Piloto da Escola Politécnica no dia 22/Mai, a palestra e apresentação de Guilherme Castagna atraiu alunos de outros cursos da Universidade de São Paulo, além de alunos e professores de outras universidades, bem como de profissionais envolvidos na temática do uso sustentável da Água para uma apresentação voltada aos alunos do curso de Engenharia. Guilherme compartilhou sua trajetória como Engenheiro Civil, do encantamento inicial com o potencial realizador da engenharia e o início de carreira em obras de construção pesada, do descontentamento gerado pelo reconhecimento do impacto negativo das grandes obras e mudança de rumo profissional com o envolvimento com a permacultura e organizações sócio ambientais, até a retomada profissional como engenheiro, integrando sua formação acadêmica com a perspectiva do design ecológico, dedicado a unir as duas para a promoção de uma integração harmoniosa entre a sociedade e a agua. Destacou a visão em que os alunos passam a ser sementes de uma nova abordagem da engenharia, uma que enxerga e valoriza o potencial do homem no suporte a regeneração dos sistemas naturais, e promove o desenvolvimento da sociedade com base em princípios éticos e de abundancia, numa referencia a obra “Manual de Instruções da Espaçonave Terra”, do engenheiro e visionário americano Buckminster Fuller, e obviamente à permacultura.

Revisitou princípios básicos do design ecológico em aplicações praticas para o Manejo Integrado de Agua, destacando o potencial de geração de impacto positivo das edificações com a redução do consumo de água potável através da adoção de medidas e equipamentos de baixo consumo, complementado pelo aproveitamento de fontes locais para abastecimento de água não-potável, a integração da chuva na paisagem com adoção de técnicas de drenagem sustentável, e o tratamento diferenciado de águas servidas, com a valorização de tratamentos localizados para águas cinzas (sem fezes) e águas pretas (com fezes), fazendo referências à projetos de edifícios residenciais e comerciais, integrantes de seu portfolio de trabalho. Elucidou a aplicação prática dos princípios revisitando dois de seus mais conhecidos e premiados projetos: o Edifício Harmonia 57, vencedor do prêmio internacional Zumtobel 2010 de Sustentabilidade no Ambiente Construído, e destaque nas Bienais de Veneza e de São Paulo, para o qual desenvolveu estratégia e projeto técnico de instalações hidráulicas, aproveitamento de agua de drenagem e de agua de chuva, alinhados a perspectiva do desenvolvimento de baixo impacto (LID – Low Impact Development), em que é minimizado o escoamento superficial, e promovida a melhoria da qualidade da água de escoamento, com uso de telhado verde, paredes verdes dotadas de irrigação por nebulização, e infiltração de água. A seguir despertou a atenção o desenvolvimento de projeto de manejo integrado de aguas pluviais elaborado entre 2012 e 2013 para o entorno do Estádio Nacional de Brasília, em que 100% do uso de agua não-potável do estádio será de água de chuva, tanto dos volumes captado nas coberturas, mas em especial pelos volumes retidos nos elementos de drenagem sustentável adotados, como pavimentos permeáveis, biovaletas, jardins de chuva, wetlands, e um lago, dotado de bombas solares para recirculação e posterior uso para usos não-potáveis no interior do estádio. O estádio hoje pleiteia o nível máximo de certificação LEED, no nível Platinum, certificação não atingida por nenhum outro estádio no mundo. O projeto desenvolvido pela Fluxus Design Ecológico, escritório coordenado por Guilherme, superou as exigências para a certificação estabelecido pelos créditos 6.1 e 6.2, e alcançou níveis exemplares abrindo espaço para pleitear créditos adicionais em função de sua excelência.

O material apresentado está disponível para visualização e download no endereço http://pt.slideshare.net/guicastagna/palestra-no-escritrio-piloto-da-escola-politcnica-da-usp

Apesar de rápido, adorei o encontro, e me empolgo com as possibilidades de facilitar a criação de um espaço renovado dentro da academia para que Engenharia e Permacultura sigam caminhando de mãos dadas, fluindo nas mentes e corações inspirados dos novos alunos, e nas ações promissoras dos futuros engenheiros-permacultores. Convites de parcerias com universidades reforçam  o sentimento. Que assim seja!

PS: Meu sincero agradecimento ao Lucca do EP pelo convite, e ao Bruno pela carona…

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Curso Gratuito de Introdução à Permacultura Urbana na Subprefeitura de Pinheiros

Querid@s amig@s,

Começando mais um Ano com todo gás e renovados, reforçamos a brilhante novidade, de um curso gratuito de introdução à permacultura oferecido em conjunto com a subprefeitura de Pinheiros. Levando a permacultura para o coração da cidade!

Por favor, espalhem a novidade em suas redes!

Desejando um lindo ano de plenitude, realizações e muita Harmonia com nossas Águas,

 

Guilherme Castagna

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Curso Gratuito de Introdução à Permacultura Urbana na Subprefeitura de Pinheiros

De 3 a 16 de fevereiro. Visitas técnicas e aulas às segundas e quartas a partir de 18h e no sábado (8/2). Atividades práticas no final de semana 15 e 16/2.

 

Conteúdo

  • O que é permacultura e exemplos de técnicas permaculturais aplicadas com sucesso em diversos países.
  • Manejo de água: captação de chuva e tratamento local de efluentes.
  • Eficiência energética e implementação de sistemas renováveis de energia.
  • Técnicas de agricultura urbana.
  •  Vermicompostagem doméstica e compostagem rápida de grande quantidade de resíduos orgânicos com a utilização de enzimas.

Com
Ariel Kogan, Claudia Visoni, Edward Borghstein, Felipe Pinheiro, Guilherme Castagna, Julio Avanzo, Natália Garcia, Peter Webb, Rui Signori

Inscrições até 17/1 (Vagas Limitadas!)
Acesse o formulário: http://goo.gl/tyHoU3

Realização

Grupo de Permacultores

CADES Pinheiros (Conselho de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz)

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1º Simpósio Brasileiro sobre aplicação de Wetlands Construídos no tratamento de Águas Residuárias

Parte de nossa Equipe Técnica esteve presente no 1º Simpósio Brasileiro sobre aplicação de Wetlands Construídos no tratamento de Águas Residuárias, realizado entre os  dias 09 a 11 de Maio de 2013, no Auditório da Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina -UFSC.

Cerimonial de Abertura - Apresentações Oficiais e Hino Nacional.

Cerimonial de Abertura – Apresentações Oficiais

salão

Hino Nacional

Um evento de grande importância para o Brasil, uma vez que muitas universidades e pesquisadores vêm desenvolvendo seus estudos e aprimorando tecnologias relacionadas aos sistemas biológicos de tratamento de águas residuárias, em especial, os Wetlands Construídos.

O que são Wetlands construídos?

Wetlands (ou brejos) construídos são bacias alagadas com nível d’agua variável, estruturada para potencializar o tratamento realizado em ambiente aquático, com a melhoria de diversos parâmetros de qualidade, incluindo a retenção pontual de nutrientes, de forma natural.

Existem três principais tipos de Wetlands em relação ao fluxo hidráulico:

Wetland Construído de Fluxo Vertical Descendente

Wetland Construído de Fluxo Vertical Descendente FONTE: Andrade 2002.

Wetland Construído de Fluxo Vertical Descendente
FONTE: Andrade 2002.

Wetland Construído de Fluxo Vertical Ascendente

Wetland Construído de Fluxo Vertical Ascendente

Wetland Construído de Fluxo Vertical Ascendente
FONTE: Caderno de Agroecologia das Terras Altas da Mantiqueira-MG 2010

Wetland Construído de Fluxo Horizontal

Esta categoria se sub-divide em filtro de fluxo Superficial (água aparente) e fluxo Sub-superficial (sem água aparente)

horizontal

Wetland Construído de Fluxo Horizontal Sub-superficial

As Wetlands de fluxo Horizontal Superficial carregam certo receio por parte dos projetistas, uma vez que a lâmina d´água fica aparente, podendo ser criatório de mosquitos causadores de doenças, como o mosquito causador da dengue (Aedes aegypti).

A Fluxus apresentou no Simpósio a aplicação do conceito de utilização de wetlands para melhoria da qualidade de águas pluviais, conforme utilizado no projeto do Estádio Nacional de Brasília “Mané Garrincha”, onde foi adotado sistema com plantas emergentes, fixas através de suas raízes à um substrato, e cujas folhas crescerão acima da superfície da lâmina d’água.

Em cada uma das duas lâminas  do lago, há uma bomba solar que faz a recirculação da água entre o lago e a região de Wetland, favorecendo a oxigenação da água, e possibilitando a filtragem complementar da água pelo sistema de tratamento em Wetland de fluxo horizontal superficial, eliminando a formação de criatórios de mosquitos através da movimentação da água.

Wetland Construído Horizontal de Fluxo Superficial

Wetland Construído Horizontal de Fluxo Superficial

Enquanto a aplicação de wetlands no tratamento de águas residuárias (esgoto doméstico, efluentes de agroindústrias, lixiviado de aterros sanitários e outras aplicações similares) é realizada por sistemas plantados geralmente com suporte de material filtrante como pedra e areia, a dinâmica no tratamento de águas pluviais com vistas à redução da carga de poluição difusa pode ser feita sem o aporte destes materiais, reduzindo significativamente o custo, e o impacto ambiental (dispensando as operações de mineração de areia e pedra bem como toda a cadeia a ela associada), facilitando ainda a manutenção dos sistemas.

Poluição Difusa

É a poluição levada aos corpos d’agua pelo escoamento superficial de água a partir de áreas impermeáveis ou de baixa permeabilidade, como quintais, telhados, estacionamentos, e vias públicas, sendo dita difusa pois apresenta diversas origens de dificil identificação, podendo ser proveniente da emissão de escapamentos ou motores de veículos, de produtos químicos usados na limpeza e lavagem de pisos, óleos e graxas, bitucas de cigarro, resíduos sólidos, fezes de animais, e de fertifilizantes químicos, principalmente na área rural. Estudos recentes mostram que a carga de poluição difusa presente nos rios é maior do que aquele proveniente de ligações de esgoto (oficiais ou clandestinas), mostrando a importância da adoção de sistemas de melhoria de qualidade de águas pluviais no meio urbano, ou rural. Estes sistemas recebem o nome de “medidas compensatórias”, pois são dimensionados para compensar a criação de áreas impermeáveis com a redução da vazão de escoamento de pico, e com a melhoria da qualidade de água. Quando planejados num âmbito de maior escopo, são também chamados de infraestrutura verde.

Visita de Campo

No último dia do Evento foi realizada uma visita de campo a um dos sistemas implantados pela empresa Rotária do Brasil,  para o tratamento de esgoto de um condomínio residencial em um sistema de tratamento composto por reator anaeróbio compartimentado seguido de Wetland Construído de Fluxo Vertical Descendente. A desinfecção é feita através de pastilha dosadora de cloro e o efluente é devolvido ao corpo d´água local com qualidade atendendo os padrões exigidos pelo CONAMA

Grupo durante visita a campo.

Grupo durante visita a campo

Controle de Nível na saída do tratamento.

Controle de Nível na saída do tratamento

Somos gratos por ter conhecido novas pessoas e re-encontrado velhos amigos parceiros engajados pela causa do cuidado das nossas águas. Não importa onde estejamos, é nosso dever se responsabilizar de forma cuidadosa pelo tratamento de nossas águas servidas, devolvendo-as no mínimo tão limpas quanto a água que usamos. Fluxus está empenhada em aplicar tecnologias acessíveis e disponíveis, com baixíssimos gastos de operação e manutenção e com excelentes resultados de eficiência no tratamento das águas residuárias em projetos rurais e urbanos.

Além de purificar a água, as wetlands, uma vez implantadas passam a ser habitats para fauna local, belíssimos jardins, com potencial produção de fibras e biomassa, além de se tornar ambientes que acrescem umidade no entorno, favorecendo a regeneração dos ecossistemas.

Participantes do 1º Seminário de Wetlands Construidas (Brasil, Florianópolis/2013)

Participantes do 1º Seminário de Wetlands Construídas (Brasil, Florianópolis/2013)

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Projeto de Manejo Integrado de Água Pluvial para o Estádio Nacional de Brasília

Celebrando o Dia da Água, compartilhamos um trabalho realizado ao longo de 2012, que exemplifica de maneira única o potencial de transformação de uma edificação desse porte no ciclo hidrológico local.Inspirados pela possibilidade de ampliar o escopo idealizado inicialmente para o projeto, de atender os créditos LEED SS6.1 (redução de escoamento superficial) e SS6.2 (melhoria da qualidade do escoamento superficial) para o entorno do estádio, Fluxus ofereceu uma consultoria que envolveu o desenvolvimento dos projetos técnicos, e a integração do sistema de drenagem externo (também chamado de medidas compensatórias em microdrenagem, ou sistemas urbanos de drenagem sustentável) aos sistemas internos de aproveitamento de água de chuva, coletados a partir da cobertura e da drenagem do campo. Com isso, 100% do consumo não-potável do estádio passará a ser atendido pela água de chuva, um volume de 16 milhões de litros/ano.À parte da redução do consumo interno, o entorno produzirá melhoria significativa de microclima, com a evaporação de água pelas árvores plantadas nas biovaletas, arbustos e plantas de baixo porte nos “planters” e jardins de chuva, além dos volumes evapotranspirados nos “wetlands” e no lago, posicionado de forma a receber água por gravidade para posterior bombeamento para os sistemas internos, e irradiar umidade para o estádio, levado pelos ventos predominantes da região.
FICHA TÉCNICA

Arquitetura: Castro Mello Arquitetura Esportiva

Consultorias:
Certificação LEED: EcoArenas LLC
Comissionamento LEED: M-E Engineers
Paisagismo: Benedito Abbud Arquitetura Paisagística
Stormwater (Manejo Integrado de Água Pluvial): Fluxus Design Ecológico
Instalações: MHA

Local: Estádio Nacional de Brasília, Distrito Federal/DF, Brasil
Área do terreno: 845796,00 m²
Elaboração do projeto: 2011-2012
Início das Obras: 26/07/2010

Desenho Original 3d por Castro Mello Arquitetura Esportiva, adaptado por Mais Argumento para a publicação “Boas Práticas em Manejo de Águas Pluviais”, parte do programa Soluções para Cidades da ABCP.

Página da Mais Argumento http://www.maisargumento.com.br/

Mais informações acesso Facebook da Fluxus Design Ecológico

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Gestão integrada da água – matéria na revista Infraestrutura

Matéria escrita por Guilherme Castagna para a revista Infraestrutura (editora Pini), edição de Ago/2012, disponível no endereço:

http://infraestruturaurbana.pini.com.br/solucoes-tecnicas/17/gestao-integrada-da-agua-a-descentralizacao-e-integracao-dos-263166-1.aspx

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Gestão integrada da água

A descentralização e integração dos sistemas de manejo de água podem viabilizar o uso de tecnologias de baixo impacto, com custo reduzido e alta qualidade no tratamento

Em diversas áreas do conhecimento, cientistas se voltam à natureza como fonte de inspiração para resolução de problemas complexos, compreendendo que os seres e sistemas que estão a nossa volta são resultado de um longo processo de design, afinado em seus mínimos detalhes numa busca de regeneração, evolução e proliferação constante da vida. No que se refere à água, vale lembrar que num simples dia milhares de quilômetros cúbicos são reciclados e purificados utilizando energia gratuita do sol, sendo disponibilizados livremente para todas as formas de vida, tão pura quanto possível.

[Para criar sistemas de manejo de água que envolvam o abastecimento, tratamento de águas residuárias e drenagem de maneira integrada, é fundamental incorporar dois conceitos básicos: descentralização e integração]

Em contraste a essas referências, observamos a realidade da maioria das cidades brasileiras, em que predomina um modelo inadequado, em que o aumento de concentração demográfica e das atividades humanas gera um ciclo vicioso de contaminação dos recursos hídricos locais, e por consequência a busca de volumes cada vez maiores de fontes cada vez mais escassas e distantes, gerando um cenário de crescente escassez.

Para criar sistemas de manejo de água que envolvam o abastecimento, tratamento de águas residuárias e drenagem, pautados nos princípios de funcionamento dos sistemas naturais, é fundamental incorporar dois conceitos básicos: descentralização e integração. Tomemos a dinâmica da água em bacias hidrográficas como ponto de partida. Imagine a ampla rede de nascentes, córregos, riachos e rios formadores de uma determinada bacia, e pense nela como um sistema de abastecimento de água.

Além de trabalhar por gravidade, o comprometimento em termos qualitativos ou quantitativos de uma das “n” ramificações (descentralização) não interfere significativamente na qualidade e no volume total do rio principal (integração), o que confere ao sistema segurança, flexibilidade e resiliência, aspectos fundamentais em sistemas públicos de abastecimento de água.

O princípio de descentralização também pode ser aplicado aos sistemas de tratamento de esgoto, que atendendo núcleos reduzidos podem recorrer a tecnologias de baixo impacto, trabalhando por gravidade (na medida do possível), com custo inferior, e resultados qualitativos muito superiores a sistemas centralizados de grande porte, que também podem contribuir para o abastecimento de consumo não potável local, fortalecendo a integração entre os sistemas. Uma referência prática são as centenas de estações de tratamento de efluentes distribuídas em Berlin.

Os topos de morro são áreas fundamentais para a recarga dos lençóis freáticos, por meio da lenta liberação de água retida na cobertura vegetal e nos interstícios do solo, reduzindo ao mínimo o escoamento superficial de água, colaborando para a manutenção do fluxo de água dos rios e córregos e mantendo desta forma a qualidade e a disponibilidade de água do já referido sistema de abastecimento.

Infraestrutura verde é o nome dado ao conceito que incorpora o planejamento e construção de estruturas de drenagem sustentável que lidam de forma análoga ao sistema natural, retendo água pluvial localmente (descentralização) e potencializando a melhora da qualidade da água para o abastecimento local para fins não potáveis, ou mesmo para o abastecimento de corpos d’água (integração). O desafio de incorporar estes princípios em sistemas já construídos é complexo, mas o resultado compensa o esforço da transição.

Guilherme Castagna engenheiro civil, designer ecológico e coordenador de projetos da Fluxus Design Ecológico.

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