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Palestra no Escritório Piloto da Escola Politécnica da USP

De tanto em tanto sou convidado a oferecer palestras, e fico feliz em compartilhar com gente nova e empenhada, que está afim de ouvir e trocar experiências, duvidas e sonhos. Por estar na universidade me fez lembrar de minha retomada no mundo da Engenharia, e da sequência de palestras com o Professor Plinio Tomaz, que adotei como Mestre nesse reinício, um figura cuja atitude de compartilhar o conteúdo me ajudou a esclarecer muitas de minhas dúvidas, e que inspira meu barato de compartilhar materiais de estudo e de trabalho. Aliás, gratidão Plinio!

O filtro do dia foi a chuva que caiu implacável, depois de 30 dias de seca em SP, engarrafando o trânsito e empatando o meio de campo de quem estava a caminho da palestra, eu inclusive. Mas curto chuva, e o pessoal presente, pelo jeito, também. Sala cheia, conhecidos, amigos e gente nova, curto a vibe! Me lembrou do Centro Acadêmico da Mauá, só faltou a mesa de pebolim, os gritos de truco, e o cheiro das máquinas de xerox, inconfundíveis.

Prá não ter que reescrever algo que já foi escrito, compartilho aqui um relato produzido sobre o encontro:

“Realizada no dia 22 de Maio a convite do Escritório Piloto da Escola Politécnica no dia 22/Mai, a palestra e apresentação de Guilherme Castagna atraiu alunos de outros cursos da Universidade de São Paulo, além de alunos e professores de outras universidades, bem como de profissionais envolvidos na temática do uso sustentável da Água para uma apresentação voltada aos alunos do curso de Engenharia. Guilherme compartilhou sua trajetória como Engenheiro Civil, do encantamento inicial com o potencial realizador da engenharia e o início de carreira em obras de construção pesada, do descontentamento gerado pelo reconhecimento do impacto negativo das grandes obras e mudança de rumo profissional com o envolvimento com a permacultura e organizações sócio ambientais, até a retomada profissional como engenheiro, integrando sua formação acadêmica com a perspectiva do design ecológico, dedicado a unir as duas para a promoção de uma integração harmoniosa entre a sociedade e a agua. Destacou a visão em que os alunos passam a ser sementes de uma nova abordagem da engenharia, uma que enxerga e valoriza o potencial do homem no suporte a regeneração dos sistemas naturais, e promove o desenvolvimento da sociedade com base em princípios éticos e de abundancia, numa referencia a obra “Manual de Instruções da Espaçonave Terra”, do engenheiro e visionário americano Buckminster Fuller, e obviamente à permacultura.

Revisitou princípios básicos do design ecológico em aplicações praticas para o Manejo Integrado de Agua, destacando o potencial de geração de impacto positivo das edificações com a redução do consumo de água potável através da adoção de medidas e equipamentos de baixo consumo, complementado pelo aproveitamento de fontes locais para abastecimento de água não-potável, a integração da chuva na paisagem com adoção de técnicas de drenagem sustentável, e o tratamento diferenciado de águas servidas, com a valorização de tratamentos localizados para águas cinzas (sem fezes) e águas pretas (com fezes), fazendo referências à projetos de edifícios residenciais e comerciais, integrantes de seu portfolio de trabalho. Elucidou a aplicação prática dos princípios revisitando dois de seus mais conhecidos e premiados projetos: o Edifício Harmonia 57, vencedor do prêmio internacional Zumtobel 2010 de Sustentabilidade no Ambiente Construído, e destaque nas Bienais de Veneza e de São Paulo, para o qual desenvolveu estratégia e projeto técnico de instalações hidráulicas, aproveitamento de agua de drenagem e de agua de chuva, alinhados a perspectiva do desenvolvimento de baixo impacto (LID – Low Impact Development), em que é minimizado o escoamento superficial, e promovida a melhoria da qualidade da água de escoamento, com uso de telhado verde, paredes verdes dotadas de irrigação por nebulização, e infiltração de água. A seguir despertou a atenção o desenvolvimento de projeto de manejo integrado de aguas pluviais elaborado entre 2012 e 2013 para o entorno do Estádio Nacional de Brasília, em que 100% do uso de agua não-potável do estádio será de água de chuva, tanto dos volumes captado nas coberturas, mas em especial pelos volumes retidos nos elementos de drenagem sustentável adotados, como pavimentos permeáveis, biovaletas, jardins de chuva, wetlands, e um lago, dotado de bombas solares para recirculação e posterior uso para usos não-potáveis no interior do estádio. O estádio hoje pleiteia o nível máximo de certificação LEED, no nível Platinum, certificação não atingida por nenhum outro estádio no mundo. O projeto desenvolvido pela Fluxus Design Ecológico, escritório coordenado por Guilherme, superou as exigências para a certificação estabelecido pelos créditos 6.1 e 6.2, e alcançou níveis exemplares abrindo espaço para pleitear créditos adicionais em função de sua excelência.

O material apresentado está disponível para visualização e download no endereço http://pt.slideshare.net/guicastagna/palestra-no-escritrio-piloto-da-escola-politcnica-da-usp

Apesar de rápido, adorei o encontro, e me empolgo com as possibilidades de facilitar a criação de um espaço renovado dentro da academia para que Engenharia e Permacultura sigam caminhando de mãos dadas, fluindo nas mentes e corações inspirados dos novos alunos, e nas ações promissoras dos futuros engenheiros-permacultores. Convites de parcerias com universidades reforçam  o sentimento. Que assim seja!

PS: Meu sincero agradecimento ao Lucca do EP pelo convite, e ao Bruno pela carona…

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Jardins de Chuva: Lançamento de Cartilha Técnica Gratuita

Produzido pelo FCTH, em parceria com a ABCP em seu programa Soluções para Cidades, esta é a primeira publicação disponibilizada em sua seção dedicada ao Saneamento, com foco nas questões relacionadas à Drenagem de águas pluviais. Fugindo dos conceitos convencionais de drenagem, que buscam eliminar a presença da água através da implantação de “sistemas eficientes” de rápido direcionamento às galerias e corpos hídricos, a cartilha sinaliza de forma clara uma nova abordagem que favorece a retenção e melhoria da qualidade da água de drenagem “na fonte”, em sistemas simples e multifuncionais. Uma visão diametralmente oposta ao que vemos em nossas cidades, e que se implantados em larga escala criam condições favoráveis à recriação do ciclo hidrológico nas cidades, com a recarga do lençol freático, purificação e redução da poluição difusa, melhoria do microclima pela ação de evapotranspiração das plantas, criação de habitat para fauna local, redução dos volumes direcionados para redes pluviais e consequente redução de seção e de custo das galerias, e manutenção da qualidade dos mananciais locais. Um primeiro e fundamental passo para a melhoria da qualidade dos rios urbanos, largamente impactados pela poluição difusa das cidades.

Idealizado para avaliação e capacitação de prefeituras na implantação de programas municipais de drenagem, pode ser aplicado em vias públicas ou quintais de casas ou edifícios.

A técnica foi utilizada pela Fluxus em seu recente projeto de manejo integrado de água pluvial idealizado para o Estádio Nacional de Brasília, conforme post anterior (em Projeto de Manejo Integrado de Água Pluvial para o Estádio Nacional de Brasília).

Nossos agradecimentos sinceros ao inspirador trabalho desenvolvido pela ABCP e equipe do FCTH, responsáveis pela elaboração e produção deste primeiro caderno técnico.

Mais informações em:

http://solucoesparacidades.com.br/saneamento/4-projetos-saneamento/jardins-de-chuva/

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Projeto de Manejo Integrado de Água Pluvial para o Estádio Nacional de Brasília

Celebrando o Dia da Água, compartilhamos um trabalho realizado ao longo de 2012, que exemplifica de maneira única o potencial de transformação de uma edificação desse porte no ciclo hidrológico local.Inspirados pela possibilidade de ampliar o escopo idealizado inicialmente para o projeto, de atender os créditos LEED SS6.1 (redução de escoamento superficial) e SS6.2 (melhoria da qualidade do escoamento superficial) para o entorno do estádio, Fluxus ofereceu uma consultoria que envolveu o desenvolvimento dos projetos técnicos, e a integração do sistema de drenagem externo (também chamado de medidas compensatórias em microdrenagem, ou sistemas urbanos de drenagem sustentável) aos sistemas internos de aproveitamento de água de chuva, coletados a partir da cobertura e da drenagem do campo. Com isso, 100% do consumo não-potável do estádio passará a ser atendido pela água de chuva, um volume de 16 milhões de litros/ano.À parte da redução do consumo interno, o entorno produzirá melhoria significativa de microclima, com a evaporação de água pelas árvores plantadas nas biovaletas, arbustos e plantas de baixo porte nos “planters” e jardins de chuva, além dos volumes evapotranspirados nos “wetlands” e no lago, posicionado de forma a receber água por gravidade para posterior bombeamento para os sistemas internos, e irradiar umidade para o estádio, levado pelos ventos predominantes da região.
FICHA TÉCNICA

Arquitetura: Castro Mello Arquitetura Esportiva

Consultorias:
Certificação LEED: EcoArenas LLC
Comissionamento LEED: M-E Engineers
Paisagismo: Benedito Abbud Arquitetura Paisagística
Stormwater (Manejo Integrado de Água Pluvial): Fluxus Design Ecológico
Instalações: MHA

Local: Estádio Nacional de Brasília, Distrito Federal/DF, Brasil
Área do terreno: 845796,00 m²
Elaboração do projeto: 2011-2012
Início das Obras: 26/07/2010

Desenho Original 3d por Castro Mello Arquitetura Esportiva, adaptado por Mais Argumento para a publicação “Boas Práticas em Manejo de Águas Pluviais”, parte do programa Soluções para Cidades da ABCP.

Página da Mais Argumento http://www.maisargumento.com.br/

Mais informações acesso Facebook da Fluxus Design Ecológico

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Gestão integrada da água – matéria na revista Infraestrutura

Matéria escrita por Guilherme Castagna para a revista Infraestrutura (editora Pini), edição de Ago/2012, disponível no endereço:

http://infraestruturaurbana.pini.com.br/solucoes-tecnicas/17/gestao-integrada-da-agua-a-descentralizacao-e-integracao-dos-263166-1.aspx

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Gestão integrada da água

A descentralização e integração dos sistemas de manejo de água podem viabilizar o uso de tecnologias de baixo impacto, com custo reduzido e alta qualidade no tratamento

Em diversas áreas do conhecimento, cientistas se voltam à natureza como fonte de inspiração para resolução de problemas complexos, compreendendo que os seres e sistemas que estão a nossa volta são resultado de um longo processo de design, afinado em seus mínimos detalhes numa busca de regeneração, evolução e proliferação constante da vida. No que se refere à água, vale lembrar que num simples dia milhares de quilômetros cúbicos são reciclados e purificados utilizando energia gratuita do sol, sendo disponibilizados livremente para todas as formas de vida, tão pura quanto possível.

[Para criar sistemas de manejo de água que envolvam o abastecimento, tratamento de águas residuárias e drenagem de maneira integrada, é fundamental incorporar dois conceitos básicos: descentralização e integração]

Em contraste a essas referências, observamos a realidade da maioria das cidades brasileiras, em que predomina um modelo inadequado, em que o aumento de concentração demográfica e das atividades humanas gera um ciclo vicioso de contaminação dos recursos hídricos locais, e por consequência a busca de volumes cada vez maiores de fontes cada vez mais escassas e distantes, gerando um cenário de crescente escassez.

Para criar sistemas de manejo de água que envolvam o abastecimento, tratamento de águas residuárias e drenagem, pautados nos princípios de funcionamento dos sistemas naturais, é fundamental incorporar dois conceitos básicos: descentralização e integração. Tomemos a dinâmica da água em bacias hidrográficas como ponto de partida. Imagine a ampla rede de nascentes, córregos, riachos e rios formadores de uma determinada bacia, e pense nela como um sistema de abastecimento de água.

Além de trabalhar por gravidade, o comprometimento em termos qualitativos ou quantitativos de uma das “n” ramificações (descentralização) não interfere significativamente na qualidade e no volume total do rio principal (integração), o que confere ao sistema segurança, flexibilidade e resiliência, aspectos fundamentais em sistemas públicos de abastecimento de água.

O princípio de descentralização também pode ser aplicado aos sistemas de tratamento de esgoto, que atendendo núcleos reduzidos podem recorrer a tecnologias de baixo impacto, trabalhando por gravidade (na medida do possível), com custo inferior, e resultados qualitativos muito superiores a sistemas centralizados de grande porte, que também podem contribuir para o abastecimento de consumo não potável local, fortalecendo a integração entre os sistemas. Uma referência prática são as centenas de estações de tratamento de efluentes distribuídas em Berlin.

Os topos de morro são áreas fundamentais para a recarga dos lençóis freáticos, por meio da lenta liberação de água retida na cobertura vegetal e nos interstícios do solo, reduzindo ao mínimo o escoamento superficial de água, colaborando para a manutenção do fluxo de água dos rios e córregos e mantendo desta forma a qualidade e a disponibilidade de água do já referido sistema de abastecimento.

Infraestrutura verde é o nome dado ao conceito que incorpora o planejamento e construção de estruturas de drenagem sustentável que lidam de forma análoga ao sistema natural, retendo água pluvial localmente (descentralização) e potencializando a melhora da qualidade da água para o abastecimento local para fins não potáveis, ou mesmo para o abastecimento de corpos d’água (integração). O desafio de incorporar estes princípios em sistemas já construídos é complexo, mas o resultado compensa o esforço da transição.

Guilherme Castagna engenheiro civil, designer ecológico e coordenador de projetos da Fluxus Design Ecológico.

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